Eu queria te contar uma coisa que demorei anos pra entender sobre mim mesmo.
Antes do diagnóstico, eu vivia um looping. Entrava num lugar e sentia o peso do ambiente antes de qualquer pessoa abrir a boca. Uma conversa começava, e eu já sabia que ia dar errado. Às vezes sonhava com algo e, dias depois, aquilo se confirmava. Eu simplesmente guardava pra mim, porque falar sobre isso parecia loucura.
Por muito tempo, chamei isso de "ser sensível demais". Depois, quando veio o diagnóstico de TDAH, achei que tinha encontrado a explicação de tudo. A mente que nunca desliga, a dificuldade de filtrar o que é importante do que não é, o cansaço depois de ambientes muito estimulantes. Fazia sentido, e eu me agarrei nisso.
Só que tinha uma parte que continuava sem explicação. E foi só quando parei de tentar encaixar tudo numa única caixinha que as coisas começaram a clarear de verdade.
A pergunta que eu não fazia
Como terapeuta e médium, eu convivo há anos com pessoas que sentem o que os outros não sentem. E reparei um padrão que se repete direto nos meus atendimentos: gente que tem TDAH e também capta o ambiente, as pessoas, as energias ao redor, mas nunca teve espaço pra juntar essas duas peças. Aprenderam a duvidar do que sentem. Aprenderam a chamar de exagero o que, na real, era percepção.
Não vou aqui te dizer que toda dispersão é dom espiritual. Isso seria raso e, sinceramente, um desserviço com quem sofre de verdade com TDAH no dia a dia. Mas uma mente que já processa tudo em volume mais alto tende também a estar mais aberta pro que está além do óbvio.
Como eu aprendi a diferenciar
Isso levou tempo, mas hoje eu consigo sentir a diferença assim.
- O TDAH está sempre ligado. Não importa se o ambiente está pesado ou leve, a dificuldade de regular estímulo e atenção é constante, faz parte do dia todo
- A ansiedade antecipa uma ameaça, mesmo quando não existe nada de concreto acontecendo naquele momento
- Já a percepção, aquilo que eu vivo como médium, é pontual. Ela chega ligada a uma pessoa, um lugar, uma situação específica. Vem, se confirma ou não, e passa
Eu vivi anos misturando os três sem saber separar. E olha, isso não é falha sua, caso você se identifique com o que estou descrevendo. Ninguém nunca te ensinou a fazer essa distinção. Eu também não tive quem me ensinasse. Fui entender isso sozinho, tentando, errando e prestando atenção em mim.
O que eu queria te dizer com esse texto
Se você chegou até aqui e alguma parte disso ecoou, não é sobre colar um rótulo novo em você. É sobre parar de brigar consigo mesmo. Você não precisa consertar essa sensibilidade toda, e também não precisa engolir ela calado. Precisa de espaço pra entender o que é o quê, no seu tempo.
Foi exatamente esse espaço que me faltou por anos. E é esse espaço que eu quero construir agora, pra mim e pra quem se reconhece nisso também.
Se isso conversou com você,
vem por aqui.
Me acompanha nas redes ou marca uma sessão pra gente ir mais fundo.